Quando as notícias sobre o sistema hackeado da Sony começaram a aparecer, me senti tentada a publicar. Afinal notícias sobre executivos falando mal de artistas são e sempre serão um prato cheio para a curiosidade do público. Só que pensei muito sobre a situação e resolvi não publicar nada sobre o assunto até agora. Veja bem, não condeno quem o fez. Mas eu já trabalhei na Sony Pictures e fiquei imaginando a situação pela qual as pessoas estavam passando naquele momento. Terroristas fuçaram suas mensagens pessoais, com o objetivo único de destruir e provocar a censura a um produto, no caso a comédia A Entrevista, estrelada por Seth Rogen e James Franco. Não consegui entrar nessa.
Isso foi antes do pior. Quando estes mesmos terroristas começaram a ameaçar a segurança física das pessoas que trabalham na empresa e seus familiares. Ou quando começaram a ameaçar os donos de cinemas e as pessoas que pudessem ter a intenção de assistir o filme. É claro que com isso os donos de cinema anunciaram que não exibiriam mais o filme, programado para estrear no Natal. A Sony infelizmente, mas de forma perfeitamente entendível, resolveu não lançar o filme (pelo menos por enquanto).
O FBI foi envolvido desde o primeiro momento. Hoje (19) foi divulgado um documento oficial confirmando que a Coréia do Norte está por trás deste ataque. A razão seria porque o filme mostra dois jornalistas envolvidos numa situação onde devem matar o líder local, Kim Jong-Un. Vários políticos deram sua opinião sobre o assunto mas a mais lúcida e interessante que eu vi foi a de George Clooney para o site Deadline
“Estamos falando aqui de um país que está decidindo qual conteúdo vamos ver. Isso não afeta simplesmente os filmes mas todo o tipo de negócio que temos[…] Esqueça a parte dos hackers. Você tem alguém ameaçando explodir prédios e de repente todo mundo volta atrás, desiste. A Sony não desistiu de exibir o filme porque estão assustados, mas porque todos os donos de cinema disseram que não iriam exibir o filme[….]É uma comédia idiota, mas a verdade é que diz muito sobre nós.Nós temos uma responsabilidade de enfrentar isso juntos. Não só a Sony, mas todos nós, incluindo meus bons amigos da imprensa, que tem a responsabilidade de se perguntar. O que era importante? O hacking é importante por todo o estrago que fez com as pessoas. […] E ainda ameaçar explodir pessoas e matar pessoas, e só por essa ameaça que nos faz mudar o que fazer para viver, isso já é uma definição de terrorismo!”
O ator ainda continua e menciona o fato que elaborou uma petição pedindo a vários membros da indústria que se solidarizassem com os diretores da Sony e com sua decisão (naquele momento) de ir em frente com o lançamento. Mas infelizmente, segundo ele, ninguém aceitou assinar por medo.
Uma outra coisa que é sempre mencionada é que os hackers/terroristas, que se denominam Guardiões da Paz, não irão parar por aí. Se conseguirem se safar dessa, logo buscarão outros filmes, estúdios, empresas. O importante é deter estes censores, essa gente perigosa. As fofocas de email parecem tão pequenas num momento como esse!
alfredo sternheim
19 de dezembro de 2014 às 8:52 pm
É isso ai, Eliane, mandou bem. As fofocas parecem pequenas diante de um momento tão perigoso. Não se pode ficar só no conformismo. Bjs.