Eu já aviso que Presença, que estreia essa semana nos cinemas, não é bem um filme de terror. Pode até parecer pela história, com um fantasma, e uma casa assombrada. Confesso que não me assustou. E sinceramente acho que esse não era o objetivo do diretor Steven Soderbergh, com um roteiro de David Koepp. Para mim é um suspense que apresenta um ponto de vista completamente diferente de tudo que já vi no gênero. Gostei.
A história acompanha o casal Rebekah (Lucy Liu) e Chris (Chris Sullivan, de This is Us) que se muda para uma nova casa com seus dois filhos Chloe (Callina Liang) e Tyler (Eddy Maday). A família, que está em crise, busca novos ares se mudando para uma nova casa, tudo numa tentativa de restabelecer a normalidade. O que não esperavam era que o lar já estivesse ocupado. À medida que enfrentam as dificuldades típicas de uma família com adolescentes, a presença de uma entidade invisível os observa e desenvolve um interesse estranho por Chloe. Os eventos domésticos começam, então, a tomar um rumo sombrio e perturbador.
O que achei?
Tecnicamente. o filme é interessantíssimo. Há poucos cortes, dividindo o filme pelos momentos em que o fantasma interage com a história. A princípio, nos primeiros minutos, isso não fica tão claro. Mas a partir de um certo momento, é instigante perceber a interação com a família e os acontecimentos. Isso porque a câmera de Soderbergh (é ele mesmo quem filma) é delicada e expressiva. Logo a gente percebe qual é a real intenção do fantasma (#semspoilers).
Como o fantasma é o protagonista (e ele não pode deixar a casa), tudo tem uma pegada teatral, já que toda a ação se passa dentro da casa. Ou ainda o que pode ser vista de dentro dela. É um brilhante exercício de direção. Também é interessante ver que os atores funcionam como coadjuvantes do fantasma, até mesmo Lucy Liu, a mais famosa do elenco. O roteiro joga algumas situações no ar, como a situação de trabalho da mãe, ou ainda os problemas de casamento dos pais, e depois não retoma isso. Mas não faz falta. Todo o clima, e uma história tão diferente, já são suficientes para entreter. E o final é brilhante.