Nos anos 50 e início dos anos 60, era comum fazer filmes que apresentavam os biografados como quase santos. A sensação que tive ao assistir ao filme Reagan, que chegou na Prime Vídeo, foi que estava vendo um filme dessa época. Ronald Reagan, o ator medíocre que virou um presidente dos Estados Unidos extremadamente marcante, ganhou um biografia feita por produtores de filmes religiosos. E Reagan , com suas pouco mais de 2h, tenta defender seu biografado com unhas e dentes, dando a entender que ele era quase um messias. Em alguns momentos chega a ser risível .
Reagan conta a história de vida do futuro 40º presidente dos Estados Unidos, desde suas raízes no interior dos EUA. Passa pelo tempo em que seguiu carreira artística no cinema até assumir o posto mais importante de uma nação: presidente dos EUA. Tudo é contado a partir do ponto de vista de um agente da KBG (fictício). Este espionou o político durante anos, quando Reagan se tornou diretor do Sindicato dos Atores Americanos. É durante a década de 60 que Reagan mergulha de cabeça na política e entra para a corrida eleitoral para o governo da Califórnia. E depois sua luta pela cadeira presidencial americana.
O que achei?
A narração é do agente da KGB, como se estivesse explicando para um jovem promissor do partido (um provável sucessor de Puttin?) como Reagan foi o responsável pela destruição da União Soviética. E mostra a determinação do personagem em destruir os comunistas. É bem provável que a forma de pensar política faça as pessoas gostem mais ou menos do filme. Não estou levando isso em conta. Meu problema com o filme é um roteiro fraco, que não mostra Reagan como uma pessoa com virtudes e defeitos. Ele é só virtude. Seu casamento com Nancy é mais perfeito do que comercial de margarina. Tem um objetivo claro de endeusar um homem e sua forma de pensar para um público que pensa como ele. Até mesmo o escândalo Irã-Contras é quase um “oops, é verdade”, rsrs.
Por esse motivo, o elenco está cheio de conhecidos admiradores do Partido Republicano dos EUA. Começando com Dennis Quaid no papel principal ( totalmente exagerado), e especialmente Jon Voight (canastrão ao cubo) como o espião russo, que também não consegue conter sua admiração por Reagan. Aliás, um parêntese aqui sobre a maquiagem e efeitos. Tanto Quaid quanto Voight são remoçados por efeitos especiais/maquiagem. Mas tudo é muito tosco. em especial no caso de Voight (é muita ruga para esconder, rsrs). Teria sido muito melhor que outros atores fizessem os dois quando jovens. O caso de Penelope Ann Miller é o que mais funciona como Nancy Reagan.
As participações
O filme ainda tem outras participações conhecidas como Kevin Dillon (como Jack Warner), Mena Suvari (como a primeira mulher de Reagan, a atriz Jane Wyman) e até Kevin Sorbo (sim o Hércules da TV), como o reverendo. C. Thomas Howell como Caspar Weinberg quase nem tem um diálogo. Ainda há alguns que foram difíceis de reconhecer como Robert Davi , como Brezhnev, e Lesley Anne Down (uma das mulheres mais lindas que já vi), como Margaret Tatcher. Mas o mais comovente foi ver Jennifer O’Neill, a lindíssima estrela de Houve um vez um verão, como a mãe de Reagan.
E no final…
No final, o filme tem um ou outro momento emocionante (o final com o último passeio a cavalo por exemplo).Mas no geral, força tanto que chega a ser risível. Talvez o momento mais inesperado (e ridículo) é quando, após um discurso de Reagan, Margaret Tatcher diz “é isso aí cowboy”. Tive que cair na risada. Mas fiquei com vontade de ver uma biografia de Reagan que não fosse tão chapa branca como essa.